16 de fevereiro de 2017

Desabafos de (des)amor

Gostava tanto de voltar a falar contigo.

Sabes, todas as vezes que nos vimos estão em replay constante na minha mente. Pergunto-me se a memória continua fiel à realidade ou já foi alterada pela dor e pela dúvida.

De vez em quando, a gravação pára num ponto determinado: o beijo discreto no pescoço quando nos despedimos naquela manhã, ou o beijo surpresa que não esperava na segunda vez. Ou talvez quando mostraste tanto interesse e tinhas tantas perguntas e tantas coisas que contar. Até pode acontecer que "encrave" aí e essa pequena parte fique ela própria em replay. Então, paro o que quer que seja que estou a fazer (ou a pensar) e desfruto do que estou a recordar. Fecho os olhos para sentir melhor, quase como se estivesse a acontecer naquele momento.

Eventualmente a gravação continua. Aí é quando vêm as dúvidas que me torturam; porquê a aparente distância naquela última vez? Foi algo que fiz, que não fiz, que disse, que não disse? Viste ou sentiste algo que não gostaste? Fui eu ou foste tu? As perguntas sem resposta espicaçam a dor, tornam-na mais real, mais intensa. Nesta altura tenho os olhos bem abertos porque não quero sentir tanto. Quero que seja um bocadinho menos real. Tento parar a gravação, fazer uma pausa; preciso de espaço para acomodar a angústia e o medo que lhe faz companhia.

Acho que não sabes, mas quando partilhei contigo a decisão que tinha tomado e o quanto me assustava, de alguma forma senti-me apoiada. Estranhamente, porque mais facilmente poderia sentir que estavas a invadir o meu espaço. Mas não, as tuas palavras acertaram em cheio no alvo, e ajudaram-me. Obrigada por isso.

Devo ter esperança de voltar a falar contigo? Não sei, provavelmente ninguém sabe; se calhar nem tu próprio sabes. Agarro-me a pequenos sinais que tento interpretar (ou alterar) como um bom augúrio. O meu coração decidiu agora mesmo que vai continuar a ter (um bocadinho pequenino) de esperança. Ainda que isso signifique sentir mais dor ou senti-la por mais tempo, vou continuar a querer e a acreditar que pode acontecer.

Gostava tanto de saber o que te vai na cabeça, no que pensas todos os dias quando te levantas, o que gostas de fazer durante o dia, com que sonhas quando dormes ou o que te faz chorar. Deste-me uma pequena amostra disso, mas longe de ser suficiente, fiquei ávida por saber mais. Conhecer-te mais. Gostava tanto de voltar a falar contigo.