25 de março de 2010

O amanhã

Vivo o presente, sonhando com o futuro. Imagino que a minha mão segura uma caneta invisível, com a qual vou preencher o espaço em branco com desejos, medos, pensamentos e sonhos, no fundo não mais que meras palavras que ecoam na vasta imensidão da minha alma.

Por vezes, aparece em borrão, que mancha a brancura do papel. Imprevistos, dizemos nós, algo que não esperamos que aconteça e que põe à prova a nossa força de vontade.

E quando damos por nós, escrevemos tantas páginas, que acabamos por criar o Livro da nossa vida. A qualquer altura, podemos voltar atrás, folhear páginas antigas, gastas pelo tempo, eternizadas pela memória e recordadas pela saudade.

Há porventura capítulos que queremos eliminar, fingir que nunca existiram. No entanto, a caneta invisível jamais poderá ser apagada, a sua tinta é eterna. O tempo apenas a torna um pouco mais difusa, os contornos das letras distorcem-se à medida que o grande relógio do tempo avança imparável.

Todas as palavras, todas as frases, todas as histórias que fazem parte desse grande Livro, são um retrato daquilo que somos e queremos ser, uma fotografia tirada através dos olhos da alma, que vêem coisas que mais ninguém vê.


Porque o amanhã é uma página em branco.

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