26 de setembro de 2011

Porta

Espero ansiosamente o momento em que a porta se abrirá. Se passar por essa porta, seguirei uma outra direcção, não totalmente desconhecida. Uma porta que me levará a um caminho sem retorno.
Um caminho onde espero encontrar estabilidade e uma luz que me guie até ao final do trajecto.

Abre-te e mostra-me o que tens para me dar.

20 de julho de 2011

E um ano passou...

Um ano. Todos os dias, semanas e meses se acumularam num todo e deram a volta ao calendário, tomaram conta do tempo. As horas avançaram ininterruptamente e ditaram a ordem dos acontecimentos.

O que pode acontecer num ano?
Os sonhos podem crescer, podem apagar-se, podem ser esmagados por outros aspectos da vida.
O meu cresceu, tornou-se maior, mais forte, mais intenso, mais vivido.

Ao início, a ilusão da novidade encadeou-me, escondeu de mim o verdadeiro caminho a ser seguido.
Depois veio a desilusão, a tristeza, o desalento.
O que estou aqui a fazer? Nem sequer fui capaz de dar asas ao meu sonho.

O tempo mais uma vez. Cura tudo. Talvez.
O tempo passou e com ele vieram novos sentimentos, uma sensação de renascer, de recuperar forças.
A desilusão deu lugar a surpresa, o desalento a esperança, a tristeza a alegria.
Tudo mudou a partir daquele momento, o momento em que voltei a acreditar em mim.

A minha força cresceu dentro de mim, os laços que nos unem tornaram-se novamente inquebráveis.
No final, sinto que valeu a pena. A certeza de ter dado o meu melhor, de me ter superado nos piores momentos, surpreendeu-me e fez-me voltar a sonhar.

Uma certeza surgiu no meu interior: "E este o meu caminho."
Sei que ainda vou ter que lutar em muitas batalhas, o desalento vai tomar conta de mim de novo em vários momentos, mas estou preparada. Para ganhar a guerra final.

E um ano passou...

21 de fevereiro de 2011

Sinto

Sinto. Apodera-se de mim, do meu corpo, do meu pensamento, da minha essência. Cada pequeno e ínfimo pedaço de mim fica paralisado com a dor, com a angústia que corre no meu interior. É como uma torrente infindável, em que cada pequeno gesto, aparentemente insignificante, intensifica o amargo sabor da tristeza.
É algo sem nome que me deixa mergulhada num oceano onde tudo reflexa cores apagadas, sem brilho. Algo que me deixa oca, vazia por dentro. Algo que incendeia todas as feridas e memórias que tento em vão conter algures. Algo que me faz deitar cá para fora todas as mágoas e ressentimentos de uma maneira tão simples como chorar. Algo que me apaga a vontade e o próprio sentido da vida. Algo que me esconde o caminho certo para a felicidade. Algo que apenas eu sinto no mais fundo do meu ser. Sinto.

8 de janeiro de 2011

Doce inocência

Nesse momento, toda a felicidade do mundo se concentrou naquele pequeno ser. O seu riso transparecia a alegria que sentia, como se não existisse mais nada para além disso.
Como se não existisse tristeza, dor ou sofrimento. Como se o mundo fosse apenas um reflexo do seu estado. Como se a inocência apagasse tudo o resto.

Nesse momento, viajei até as profundezas das minhas memórias mais antigas, no tempo em que eu própria vivia naquele mundo. Uma pergunta ecoou no meu espírito: "O que pensaria eu nessa altura?". Teria eu noção das pessoas, dos espaços, do efeito que tinha nos que me rodeavam? Ou vivia simplesmente imersa naquele universo de fantasia e simplicidade?

Olhei para ela. Parecia estar num crescente de alegria, como se ainda fosse possível mais. Um simples toque, uma simples brincadeira bastavam para que aqueles instantes fossem mágicos.
Quem me dera poder entrar no seu mundo, adivinhar o que está a pensar, a sentir, a querer dizer com o seu sorriso.

Depois o cansaço de toda a brincadeira espelhou-se no seu rosto, nos seus movimentos. E depois o medo, daqueles medos que só ela saberá a razão. Ou talvez nem ela saiba. Por fim, depois de se sentir segura no meu carinho, adormeceu. No meu colo, no meu abraço. Deixei-me estar assim, deixei-me absorver pelo encanto do momento.

Talvez um dia venha a ler o que escrevi, talvez um dia perceba que estas palavras são o seu reflexo.
Por agora, deixo apenas um grande obrigada. Obrigada por me fazeres ver que a vida vale a pena para viver momentos como este. Obrigada, simplesmente.