8 de janeiro de 2011

Doce inocência

Nesse momento, toda a felicidade do mundo se concentrou naquele pequeno ser. O seu riso transparecia a alegria que sentia, como se não existisse mais nada para além disso.
Como se não existisse tristeza, dor ou sofrimento. Como se o mundo fosse apenas um reflexo do seu estado. Como se a inocência apagasse tudo o resto.

Nesse momento, viajei até as profundezas das minhas memórias mais antigas, no tempo em que eu própria vivia naquele mundo. Uma pergunta ecoou no meu espírito: "O que pensaria eu nessa altura?". Teria eu noção das pessoas, dos espaços, do efeito que tinha nos que me rodeavam? Ou vivia simplesmente imersa naquele universo de fantasia e simplicidade?

Olhei para ela. Parecia estar num crescente de alegria, como se ainda fosse possível mais. Um simples toque, uma simples brincadeira bastavam para que aqueles instantes fossem mágicos.
Quem me dera poder entrar no seu mundo, adivinhar o que está a pensar, a sentir, a querer dizer com o seu sorriso.

Depois o cansaço de toda a brincadeira espelhou-se no seu rosto, nos seus movimentos. E depois o medo, daqueles medos que só ela saberá a razão. Ou talvez nem ela saiba. Por fim, depois de se sentir segura no meu carinho, adormeceu. No meu colo, no meu abraço. Deixei-me estar assim, deixei-me absorver pelo encanto do momento.

Talvez um dia venha a ler o que escrevi, talvez um dia perceba que estas palavras são o seu reflexo.
Por agora, deixo apenas um grande obrigada. Obrigada por me fazeres ver que a vida vale a pena para viver momentos como este. Obrigada, simplesmente.

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